Tradutor

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Imagens da cidade

Estaçao da RMV, 1930
Acervo do MHMTT
Clube, 1918
Acervo do MHMTT
Santuario, década de 40
Acervo do MHMTT
Cemitério velho- década de 10
Acervo do MHMTT
Teatro Municipal, 1918
Acervo do MHMTT

Imagens da cidade

Praça/Catedral, 1930
Acervo do MHMTT
Escola Normal, 1930
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento, 1930
Acervo do MHMTT
Praça Dr. José Garcia Coutinho, 1940
Acervo do MHMTT
Hospital Regional Samuel Libanio, 1930
Acervo do MHMTT

O Batuira

Há muitos anos, desde que Pouso Alegre começou a ser gente, já na época em que os primeiros fiosinhos de barba lhe apontavam ao rosto, o primeiro salão de barbeiro que existia por estas paragens era o do Benedito, a quem, não sei por que cargas d’água, chamavam de Batuira.
Nunca hei de me esquecer dos cortes de cabelo que ele me fazia, quando ainda creança. O Batuira, com toda certeza, fez parte de alguma dessas intemeratas “bandeiras” que abriram caminho para a civilização, por que tinha a mania da fazer numerosos “caminhos” na cabeça de seus freguezes. Não me lembro se aquele sistema de corte era moda naqueles tempos ou se me ficava bem. Posso afirmar, somente, que o Batuira era o barbeiro de minha predileção.
Como todo Fígaro que se preza, o Benedito era de uma loquacidade de espantar. Conhecia os fatos mais recentes. Discutia tudo. Política, religião, bebidas e comidas. Sabia de tudo.
O seu salãosinho de 4ª classe, defronte á Estação, era o ponto de palestra (se a brigas, discussões, palavrórios desses que põem carmim na face das estatuas, se pode chamar “palestra”) de todos os desocupados da cidade. Não havia distinção de cor, nem de nacionalidade, nem de caráter, entre os frequentadores do Salão do Batuira. Reuniam-se, ali, as mais disparatadas individualidades. Desde o carroceiro boçal, até o bêbado brigão, acavalados nos bancos de madeira.
O Batuira, alem de exímio cortador de cabelos e dono de vários outros pergaminhos, era tido como maior conhecedor do bom famo e da boa “caninha”.
Quantas vezes, aparando-me os meus cabelos, empunhando sua navalha “banguela” (a única do salão), discutindo sobre as qualidades daquelas especialidades nacionais, não me fez suar frio de medo.
Certa vez, como me lembro!, um vendedor de fumo, acompanhado do pretendente á sua aquisição, procurou o Batuira para que opinasse sobre as boas qualidades daquele legitimo “Poço Fundo”.
O Batuira, como um perfeito técnico no assunto, cheirou o fumo diversas vezes, olhou para cima, alisou a palha, passou-a nos lábios, cuspio de lado, picou regular quantidade e fez o cigarro. Acendeu-o e pôs-se a fuma-lo. O vendedor alegrou-se pensando haver descoberto o motivo daquele sorriso.
-Por enquanto, o fuminho não deu gasto. Vou fumar mais um bocado, até a metade, por que o fuminho bom só se revela na metade do cigarro.
O salão, nesse dia, domingo, estava com excesso de lotação. Todos concentravam sua atenção no barbeiro, que continuava a fumar, enquanto o paciente freguês, sentado, rosto lambusado de sabão, espereva, resignadamente, o fim da experiência.
Chegado á metade do cigarro, o Batuira tirou-o da boca, pigarreou, e emitio sua abalisada opinião.
-É.... É... O fuminho não é ruim. Até que não. Só tem “um defeitinho”:- é fraco, catinguento e ruim de gosto...
Não é preciso acrescentar que o negocio morreu na metade do cigarro do Batuira...

----------------------------
Hoje, o meu barbeiro predileto, vive por aí, com toda a curva dos anos no corpo, tremulo, implorando nos negócios a esmola de um pedacinho de fumo, não se incomodando com a qualidade.
Pobre, doente, está atacado de “delirium tremens”.

----------------------------
Eu tenho para mim, que o bom Batuira, com suas mãos excessivamente tremulas, parece querer cortar os cabelos ao vento, recordando-se daquele passado tão bom do seu salãosinho de 4ª, que o tempo lh’o tirou e não quer devolver mais.

*Extraído do Jornal “O Pouso Alegre”, 12 de Fevereiro de 1934, J. Fernandes Filho.


“Histórias que não veem na história…”


Ligeiras crônicas, sobre alguns dos nossos mais interessantes tipos populares, que a história olvidou, mas que vivem, personagens e fatos, na memória e nos lábios daqueles que os conheceram.
As histórias heroicas, escritas a sangue, perduram enquanto a tinta estiver fresca... Têm a duração dos fogos de artifício.
As pequenas histórias que se seguem não tem o cenário lúgubre dos campos de batalha, nem a magnificência dos gabinetes. Processam-se no cenário humilde da vida, na realidade crua das ruas.
Nunca foram pintadas a óleo. Mas, estão impressas na rotina dos que olham a vida em todos os seus prismas.
Não fazem chorar, nem meditar. Fazem sorrir, somente. O sorriso está mais perto dos lábios, que a lagrima dos olhos. 
Leva menos tempo para o sorriso aflorar aos lábios, que a lágrima aos olhos.

*Extraído do Jornal “O Pouso Alegre”, 12 de Fevereiro de 1934.

Ao meu Brasil


Ao meu Brasil

Alma do coração- a sympathia,

E que o poeta adora e todo o humano,

Essa alma que a correr de anno em anno,

Bate às portas do heróe do novo dia.

É essa a estrella áurea que allumia,

O nobre coração de um soberano,

A quem o povo se ergue todo ufano,

Aclamando-o em delyrio todo dia.

Engrandecei na lucta, o heróe potente,

Que com sábia doutrina e eloquente,

Vos espalha pregando á humanidade.

E co’ esse peito amigo e poderoso,

Prégae ao meu Brasil tão magestoso,

Os sagrados princípios da verdade.

(João Beraldo, Fevereiro-1909)

*Extraído do jornal “A Cidade de Pouso alegre”, 07 de fevereiro de 1909.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre
Freguezia da Cidade (p. 105-108)

A tudo que dissemos em abono de Pouso Alegre, resta-nos acrescentar a excellencia do seu clima.
Baseando em dados officiaes, fornecidos pela Comissão Geographica de Limites, que aqui teve a sua sede perto de quatro annos, podemos asseverar que o clima de Pouso Alegre é um dos melhores do Sul de Minas.
Póde parecer á primeira vista, que durante a epocha das chuvas as enchentes dos rios a que acima nos referimos venham em desabono do clima da localidade; entretanto a observação tem mostrado que estas enchentes, que em outros logares sujeitos á mesma contingencia são causa de muitos males por occasião da vasante, aqui não tem produzido influencia sensível no estado sanitário.
As febres de mau caracter são aqui raríssimas.
Também não consta que a cidade em tempo algum fosse flagellada por qualquer epidemia.
A cidade, devido a sua topographia, é perfeitamente ventilada; nos dias de maior calor durante o verão há sempre uma viração agradável, renovando constantemente o ar.
Nessa epocha do anno, tanto as noites como as manhãs são muito frescas e agradáveis.
No inverno alguns defluxos e ligeiras bronchites vem perturbar o estado sanitário, atacando de preferência as crianças.
Segundo as observações da Comissão de Limites, o centro da cidade est
á a 825 metros acima do nível do mar, o ponto mais baixo a 310, e o mais alto a 887 metros.
As médias da temperatura durante os 12 mezes de 1896, com o thermometro á sombra, são as seguintes:
Janeiro: 23,5°; Fevereiro: 23,4°; Março: 22,9°; Abril: 20,4°; Maio: 16,3°; Junho: 16,3°; Julho: 14,1°; Agosto: 17,3°; Setembro: 20,0°; Outubro: 21,0°; Novembro: 22,0°; Dezembro: 25,0°.
A maxima temperatura observada foi de 28,5°, ás 3 horas e 10 minutos da tarde do dia 22 de Dezembro; e a minima de 8,5° ás 10 horas da manhã do dia 21 de Julho.
A média pressão barometra foi de 695m, 6m. 
Pouso Alegre- 1863 (Postal)
Acervo do MHMTT

-FIM-

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre
Freguezia da Cidade (p. 104-105)

Não podemos calar os nomes de alguns cidadãos que, como José Bento, muito fizeram em pról da prosperidade de Pouso Alegre, são elles:
O cônego João Dias de Quadros Aranha, alma grande, caracter austero, coração magnânimo, onde só tinham guarida os sentimentos nobres e generosos.
Foram taes os actos de virtude e patriotismo que praticou durante a sua longa existência, que mereceu de seus concidadãos a mais elevada estima, as quaes viram no venerável sacerdote o typo sublimado do verdadeiro apostolo de Christo.
Desempenhou com intelligencia e critério diversos, inclusive o de deputado á assembléa geral.
O coronel Julião Florencio Meyer, honrado commerciante, muito bons serviços prestou á cidade e á causa publica no desempenho dos diversos cargos de que revestiu a confiança do governo e o voto popular. Sua pátria, a Bélgica, teve nelle um filho que soube honrar a terra que lhe foi berço, e que na pátria adoptiva, que amou com o fervor de um bom patriota, deixou um nome honrado ligado á importante família que aqui constituiu.
Dia a dia, Pouso Alegre conquistando mais um nome para os fastos de sua historia:- ainda ha bem pouco tempo daqui sahiu para occupar o fastígio do poder estadoal, o eminente mineiro e distincto clinico nesta cidade Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, cujos serviços e influencia política são sobejamente conhecidos por todos.
Padre José Dias de Quadros Aranha
Acervo do MHMTT

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 101-104)

Quer na imprensa, quer na tribuna, o padre José Bento tornou-se celebre; todas as vezes que se fazia ouvir da tribuna parlamentar, o auditório, suggestionado, applaudia o com enthusiasmo.
A este benemérito da pátria, a este brazileiro distincto, teve Pouso Alegre grande parte de sua prosperidade.
Mas a sorte avara quis afinal que este grande homem, viesse a ter um trágico fim, que cobriu de luto Pouso Alegre, e encheu de consternação a sua população!
Das Ephemerides mineiras, na data de 8 de Fevereiro de 1844, extrahimos o seguinte:
“Na tarde deste dia, e quando regressava á sua fazenda- cerca de dois kilometros da cidade, então Villa de Pouso Alegre- morre assassinado o senador Padre José Bento Leite Ferreira de Mello, nascido a 6 de janeiro de 1785 na villa que é hoje a cidade da Campanha.
O bárbaro attentado, a principio attribuido a inimigos políticos, foi na verdade determinado por questões suscitadas sobre propriedades de terras entre o senador José Bento e antigos protegidos seus, auctores do crime, um dos quaes era afilhado da victima.
Ferreira de Mello era filho do sargento-mór José Joaquim Leite Ferreira do Mello e de D. Escholastica Bernardina de Mello. Fez seus estudos em S. Paulo, residindo com o bispo Dom Matheus, e alli recebendo ordens sacras.
Creada a Freguezia de Pouso Alegre (1810), a cuja sede fez consideráveis serviços uteis ao embellezamento da povoação, tirou em concurso a respectiva vigararia collada, recebendo pouco depois também a nomeação de vigário da vara da comarca e mais tarde de cônego honorário da Sé de São Paulo, e o habito e commenda da Ordem de Christo.
Desde os prodromos do movimento nacional para a Independência, revelou suas idéas liberaes adiantadas,   trabalhando activamente para seu triumpho, o que lhe foi abrindo as portas das posições políticas. Foi eleito a 21 de Setembro de 1821 membro da primeira Junta do governo provisório em Minas e depois deputado á Assembléa Geral  nas três primeiras legislaturas e senador do Império, escolhido a 8 de Agosto de 1834 e tomando assento a 13 do mesmo mês na camara vitalícia. No anno precedente, e pela manhã de 23 de Março, tendo sido na véspera á noite deposto em Ouro Preto o governo legal por uma sedição militar, o vice-presidente da província e o padre José Bento, membro do Conselho do Governo, foram presos e levados para fóra da cidade por uma escolta de revoltosos, sendo soltos em Queluz pelo povo da localidade, onde aquella sedição não tivera echo.
Anteriormente (7 de Setembro de 1830), fundara o senador José Bento uma typographia em Pouso Alegre, então simples arraial, ahi publicando o Pregoeiro Constitucional, primeiro periódico que appareceu no Sul de Minas, e depois o Recompilador Mineiro, em ambos defendendo com energia e dedicação os princípios liberaes.
Sua attitude na revolução parlamentar da maioridade foi de mais salientes. Sendo um dos seis signatários do projecto para aquelle fim apresentado a 13 de Maio de 1840, foi elle quem, a 22 de Julho do mesmo anno, com vehemencia de suas enérgicas convicções, fallou ao povo de uma das janellas do senado, concitando-o para a victoria da medida anti- constitucional que seu patriotismo considerava no entanto salvadora da nação.
No movimento revolucionário de 1842, em Minas, sua co- participação foi menos efficaz e ostensiva. Não obstante, em nada diminuía a grande influencia que exercia no grêmio de seu partido e o prestigio que o cercava como chefe liberal dos mais considerados e influentes.
Homem de vontade forte, intelligente, activismo, partidista extremado, não fugiu á responsabilidade de sua posição, leal e franca em quaesquer circumstancias. Si possuisse instrucçao menos limitada, desenvolvendo proporcionalmente suas incontestáveis aptidões administrativas e parlamentares, ter-se hia engrandecido muito no sacrário político do seu tempo. Ainda assim, o nome senador José Bento Leite Ferreira de Mello figura de modo notavel nos anaes brazileiros, especialmente no decado que se conta de 1834 até o dia do seu trágico passamento.

Senador José Bento
Acervo do MHMTT


Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

Imagens da cidade

Encerramento das obras de pavimentaçao da Praça Senador José Bento- 1938
Acervo do MHMTT
Inicio do calçamento da Praça Senador José Bento- 1938
Acervo do MHMTT
Avenida do Imperador- Inicio do século
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento- 1938
Acervo do MHMTT
Escola Profissional- 1930
Acervo do MHMTT

Marco do dia

30/05/1901: Aquisição de um estandarte da Câmara Municipal de Pouso Alegre (Brasão) em firma especializada do Rio de Janeiro, pelo valor de Rs 900$000 (novescentos mil réis).

Estandarte da Camara Municipal
Original- Acervo do MHMTT


30/05/1970: Inauguração das casas do BNH no bairro da Santa Dorotéia, com 50 unidades.

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 98-101)

Na imprensa, Pouso Alegre tem se salientado sempre, e cabe lhe a gloria de ter sido no sul de Minas o primeiro logar que teve imprensa.
Os periódicos de Pouso Alegre, na ordem chronologica da sua publicação, são os seguintes:
Pregoeiro Constitucional: fundado pelo padre José Bento Leite Ferreira de Mello, que publicou seu primeiro número em 19 de junho de 1830, vinte annos depois da creação da freguezia de Pouso Alegre, na capella do Senhor Bom Jesus de Mandú.
Este jornal existiu, pouco mais ou menos, até fim de 1831, epocha em que o mesmo Padre José Bento fundou a sociedade- Defensora da liberdade e independência nacional.
O Pregoeiro Constitucional
Original: Acervo do MHMTT
Recompilador Mineiro: impresso na mesma typographia, e fundado também pelo Padre José Bento.
Seu primeiro numero appareceu no dia 2 de fevereiro de 1833. Publicava-se duas vezes por semana, sob a direcção de Modesto Antonio Mayer. Não sabemos qual tenha sido sua direcção; um dos números mais recentes, diz um historiador, traz a data de 19 de Agosto de 1837.
Foi nessa typographia, a primeira estabelecida no sul de Minas, quê se fez a primeira impressão da Constituição do Império, ainda hoje conhecida por Constituição de Pouso Alegre.
O desapparecimento do Recompilador Mineiro assignalou a primeira phase do jornalismo local; só 36 annos depois apareceu o Mineiro.
O Recompilador Mineiro
Original: Acervo do MHMTT

A 9 de Novembro de 1833, appareceu o primeiro numero do Mineiro, que se publicou até 1879, ficando a typographia em abandono até 1877.
Esta typographia foi passando de proprietário, e publicou sucessivamente até 1866, os seguintes jornaes:
Progresso Mineiro, sahiu á publicidade no dia 28 de Outubro de 1877.
Echo Juvenil, folha quinzenal, seu primeiro numero publicou-se em princípios de Maio de 1878.
Dez de Dezembro, semanário, foi publicado a 2 de Dezembro de 1879, e suspendeu a sua publicação a 4 de Julho de 1880, depois de 8 mezes de existência.
Pouso Alegrense, com um anno de existência a contar do dia 24 de setembro de 1871.
Livro do Povo, publicado durante 2 annos.
Valle Sapuchay, que appareceu em 11 de outubro de 1885, e 5 mezes depois a sua typographia foi violentamente destruída na noite de 1 para 2 de Março de 1886, vindo a ter um trágico fim a velha, a histórica typographia do Mineiro!
Jornal de Pouso Alegre, começou a sua publicação a 16 de fevereiro de 1885, na typographia que para aqui trouxe o Dr. Francisco Manoel R. de Almeida, que após o desapparecimento do Livro do Povo transferiu a sua residência de S. José do Paraiso para esta cidade.
Corisco, que surgiu dos destroços da typographia do Mineiro, appareceu a 18 de Abril de 1886; não sabemos sua duração.
Phenis, que teve a mesma origem que o corisco, appareceu a 11 de Novembro de 1887; infelizmente só publicou o seu primeiro e ultimo numero.
Pyrilampo, de 1 de Novembro de 1880 a 28 de Fevereiro de 1890.
Noticiador, de 1 de Janeiro a 30 de Julho de 1892.
Patria, seu primeiro número traz a data de 10 de Janeiro de 1897; é o jornal que actualmente se mantem.
Foi fundado pelo vigário José Paulino de Andrada, que advogando a causa da religião, fez por meio deste órgão a propaganda da creação do Bispado Sul-Mineiro.
Falta-nos o tempo para fazermos uma apreciação do programma de cada um destes jornaes; sabemos que alguns tiveram grandes aspirações e vastos programmas, mas que pouco realisaram em face de sua ephemera existência.
O penúltimo dos jornaes, o Noticiador, fundado por Zoroastro Ferraz da Luz, e redigido pelo, então, acadêmico Antão Marques de Oliveira, foi um valente campeão em pról da unidade de Minas, combatendo a idéa separatista por occasião da revolução da Campanha.
Mas entre todos estes jornaes, salientam-se o Pregoeiro Constitucional e o Recompilador Mineiro, sendo o primeiro o mais importante de todos, não só porque com elle se iniciou a imprensa local, como ainda por ter apparecido em uma epocha de agitação de luta, nesse anno em que se fundava o Imperio.

Nesse jornal o Padre José Bento (mais tarde eleito senador) mostrou-se sempre acérrimo defensor dos principios liberaes. Cada artigo que redigia ia ferir o alvo.

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre
Freguezia da Cidade (p. 94-98)


Na instrucção pública, Pouso Alegre occupou sempre um lugar de honra entre as cidades sul-mineiras.
Em 1840, foi creada, pela lei mineira de 6 de Outubro uma cadeira de latinidade.
Ainda em 1874 (veja-se o Almanack sul-mineiro deste anno) aqui existiam os collegios de São Sebastião, onde se leccionava as primeira lettras e estudos, preparatórios ao sexo masculino e o de N. Sra. Das Dôres , onde se educava e instruía com esmero a mocidade feminina; e além destes estabelecimentos duas aulas de instrucção primaria para ambos os sexos, e outra de latim e francez, pagas pelos cofres provinciaes.
Depois foi fundado o collegio Santa Cruz, internato e externato para o sexo masculino. Mais tarde foi creado o lyceu Pouso Alegrense, o melhor e mais importante estabelecimento de ensino que houve no sul de Minas, fundado pelos eméritos educadores José Gomes dos Santos Guimarães, Antonio Francisco Furtado de Mendonça filho e Francisco Ribeiro Pinto, auxiliados por habilíssimos professores.
Houve mais o collegio Mendonça, fundado pelo illustradissimo pedagogo Antonio Francisco Furtado de Mendonça Filho.
Este notavel estabelecimento foi transferido para Poços de Caldas em 1892, tendo sido vendido a outro por fallecimento dos eu fudador, a 15 de Fevereiro de 1894.
Ao lembrar o infausto acontecimento, não podemos deixar de dizer, embora ligeiramente, quem foi Mendonça Filho, cuja memória ainda hoje é venerada com maior acatamento pelos seus amigos e discípulos.
Mendonça Filho foi um desses espíritos talhados para o magistério. Intelligencia robusta, caracter immaculado, dedicação sem limites. Conhecimentos profundos. 
Foi ele o maior propagandista da instrucção publica no Sul de Minas, o seu nome aureolado brilhará sempre a par dos beneméritos da pátria como emérito educador da mocidade, que por tantos annos guiou atravez dos labyrinthos da sciencia, com um amor e uma dedicação pouco communs.
Na Villa de Poços, periódico que se publica em Poços de Caldas, encontramos no n. 36, de 23 de fevereiro de 1894, diversos esboços biographicos commemorando o dia do passatempo do distincto educador, elaborado por alguns daquelles que tiveram a dita de conhecer de perto o illustre morto.
A leitura de cada um desses artigos desperta na alma do leitor um sentimento de admiração, sympatia e respeito por aquelle que na terra se chamou Mendonça Filho, e que hoje descança da nobre missão que tão bem soube desempenhar, deixando no coração de seus amigos e discípulos a mais profunda saudade.
Depois deste importante estabelecimento, foi creado o externato Pousoalegrense, sob a direção dos distinctos professores Alberto da Silveira Braga e Joaquim Queiroz Filho, tendo ultimamente ficado a cargo deste ultimo que ainda o mantem.
No dia 8 de setembro de 1899 inaugurou-se com grande pompa, no edificio onde funccionou o collegio Mendonça, o Seminario Episcopal, sob os auspícios do futuro bispado sul-mineiro.
Depois da missa houve benção do estabelecimento pelo Rev.Con. José Paulino de Andrada. Foi uma festa que concorreram todas as classes da população Pousoalegrense, e por entrevivas de enthusiasmo, discurso e flôres foi inaugurado este importante estabelecimento de educação, que já está funcionando.
Classificado em “Pequeno Seminario”  ou “Collegio Diocesano do Bispado Sul-Mineiro” nele se preparam os alumnos, não só para o curso superior do Seminário Maior da nova Diocese, mas como também para as Academias e Faculdade da República.
O ensino preparatório abrange todas as disciplinas da instrucção primaria e secundaria de accordo com os methodos da moderna pedagogia.
Habillissimos professores, ecclesiasticos e seculares, formam o corpo docente do estabelecimento.
A esforços do illustradissmo vigário da freguesia, cônego José Paulino de Andrada, hoje muito digno visitador diocesano, se deve a creação do Seminário.

A idéa da ovação do Bispado sul-mineiro é também exclusivamente sua.
No glorioso afan de angariar donativos para a fundação do bispado, tem o illustre sacerdote manifestado uma actividade e uns tinos raros. Enfrentando com a crise que reina por toda parte, tem elle, apesar de mil contrariedades, obtido donativos importantes, que já foram applicados nas obras da matriz para que possa servir de cathedral, na compra do edifício e terrenos do Seminario e outras compras de prédios para o patrimônio do bispado.
É digno dos maiores encômios o esforçado e incansável sacerdote pelo zelo e dedicação que tem manifestado em prol da causa que esposou.
Além do Seminario, existem duas escolas publica para o sexo feminino, duas para o sexo masculino, e uma aula mixta.
Os pouso-alegrenses são amantes decididos das bellas artes. Não há logar no Sul de Minas, onde a musica não seja cultivada.
Seminaristas- Colegio Diocesano- 1905
Acervo do MHMTT

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Imagens da cidade

Nova Catedral- Missa, 1950
Acervo do MHMTT
Nova Catedral- 1950
Acervo do MHMTT
Revitalizaçao do Jardim-1958
Acervo do MHMTT
Vista parcial da cidade de Pouso Alegre- 1960
Acervo do MHMTT
Catedral- 1940
Acervo do MHMTT

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 92-94)

Pouso Alegre já teve uma época em que a industria fabril começou a ser ensaiada: José da Cruz Alvarenga e Mello aqui estabeleceu uma pequena fabrica de chapéos, mas, infelizmente teve de fechar-se.
Para augmento da vida própria da cidade tem faltado a iniciativa particular.     
Bem sabemos que esta falta é devido actualmente á crise medonha que atravessamos:- os capitães são retrahidos, e a industria morre à míngua de recursos; não deve porém, estar o longe o dia que Pouso Alegre terámuitas outras cidades do Sul de Minas, a sua época de properidade industrial: é uma questão de tempo.
Nas margens do Mandú e do Sapuchaymirim encontra-se excellente barro de telha, com que as olarias existentes fornecem o material necessário para as construcções da cidade.
As olarias só se occupam do fabrico de tijolos e telhas curvas; mas o barro presta-se perfeitamente para o fabrico de telhas francezas e outras obras da cerâmica.
Um curtume regularmente montado explora, com algum resultado a industria dos couros.
A colônia Francisco Salles propriedade do Estado, creada pela Lei n. 150 de 20 de julho de 1896, já se acha funccionando na antiga fazenda da Faisqueira, e há de trazer, por certo, grandes benefícios para a cidade.
Existem dentro do perímetro da cidade, assim como em algumas fazendas nas proximidades, algumas plantações de uvas que fornecem um vinho bem regular, cujo fabrico, sendo melhorado, pode dar um producto que rivalise com os vinhos nacionaes de primeira qualidade.
Tambem, de longa data, se fabrica chá de boa qualidade, embora em pequena escala; e em menor escala ainda, vem a produção de cêra.
Nos quintaes encontra se grande variedade de fructas:- a larangeira,o pecegueiro, a jabuticabeira, a nogueira, e muitas outras dão aqui em abundancia fructos muito saborosos.
As hortaliças de toda a espécie encontram aqui um clima muito aperfeiçoado.
Cultiva-se na freguezia a cidade a canna, o fumo, o café e toda a espécie de cereais; exporta-se além destes productos, polvilhos, farinha, queijos, gallinhas, gado e cevados.
O commércio em Pouso Alegre é bastante animado, e gosa de muito conceito na Praça do Rio de Janeiro e na de S. Paulo, com as quaes tem as suas transacções mais importantes.


Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.
 

Muitas Histórias


Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 91-92)

Devido à inclinação natural do terreno, as águas são facilmente escoadas em toda cidade; e também, graças a povosidade do sub solo, após as chuvas ainda, ainda as mais prolongadas, com um ou dois dias de sol, as ruas ficam completamente enxutas.
Em alguns pontos da cidade o alinhamento das casas não é perfeito; nem outra cousa se devia se esperar de uma cidade que foi crescendo aos poucos, sem obedecer a um plano geral de alinhamento.
A patriótica Camara Municipal tem remediado alguns defeitos, e envida constantes esforços para melhorar e embellezar a cidade.
Ultimamente foi prolongada uma das ruas principaes até os fundos da estação  da estrada de fero, o que custou não pequenas desapropriações. Também o Largo do Rosário foi augmentado, e a camara pretende ajardinal-o.
Pouso Alegre, assim como todas as cidades sulmineiras, não possue ainda uma rede de esgotos.
O abastecimento d’agua potável é muito defficiente: dois chafarizes apenas fornecem uma parte insignificante do necessário consumo.
A maior parte da água para os usos domésticos é fornecida por cisternas que quase todas as casas possuem, tendo algumas dellas, fontes nos quintaes que fornecem água pura e crystallina.
Em princípios do anno passado, mandou a camara proceder aos estudos do projecto de abastecimento d’agua, tendo em vista utilisar se de um e abundante manancial, que dita seis kilometros do centro da cidade.
Devido ao péssimo estado do cambio sobre que teve de basear-se o custo do material, o orçamento elevou-se a uma cifra considerável, que não permitte actualmente levar a effeito este importante melhoramento.
Dentro do perímetro da cidade existem pequenos mananciaes, dois dos quaes abastecem os chafarizes existentes, não tendo sido ainda aproveitadoo maior de todos elles,  o que seria de grande vantagem, podendo não só fornecer água á cadeia, como ainda abastecer três novos chafarizes.
Ponte sobre o Rio Mandu- 1893
Acervo do MHMTT


Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.

domingo, 27 de maio de 2012

Marco do dia

23/05/1972: A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “Eugênio Pacelli” é autorizada a funcionar pelo Decreto Federal n°70.594 de 12/05/1972.

FAFIEP (UNIVAS Capus Fatima)
Disponivel no site: http://www.univas.edu.br/univas/processoseletivo/galeriaimagens.asp?opc=15

24/05/1901: Inauguração da Capela São José, anexa ao Seminário Diocesano (14° GAC)


24/05/1904: É lançada a pedra fundamental do novo Edifício do Colégio Diocesano.

Ginasio Sao José- 1900
Disponivel no site: http://www.guiadepousoalegre.com.br/fotosantigas1/02g.jpg

25/05/1895: Chega à Estação da Rede Mineira de Viação (RMV) o trem especial para a inauguração da ferrovia, trazendo a comitiva da estrada de ferro e representantes do Governo de Minas Gerais, empresários e pessoas gradas.
Estaçao da RMV- 1925
Disponivel no site: http://www.guiadepousoalegre.com.br/fotosantigas2/1925-6g.jpg

Homenagem: 90 anos- Sr. Alexandre de Araujo


Produzido pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo e TV Câmara de Pouso Alegre- MG.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Programa Espaço da Memória- Museu Histórico Municipal Tuany Toledo


Programa Espaço da Memória, produzido pelo Museu Histórico Municipal Tuany Toledo e TV Câmara de Pouso Alegre- MG.

Muitas Histórias

Parte Histórica- Pouso Alegre

Freguezia da Cidade (p. 88-90)

Além da matriz, possue a cidade uma pequena capella dedicada á santa Cruz, onde todos os annos se faz uma festa em acção de graças e que é muito concorrida. A capellinha está colocada no solaes do morro do cemitério, donde a vista se dilata por um horisonte vastíssimo.
Igreja de Santa Cruz (ao lado do Cemitério velho)- 1880
Acervo do MHMTT


No Largo do Rosario, uma das praças mais bellas da cidade, existio outr’ora a capella que lhe deu. Foi demolida há poucos annos para ser construída outra em melhores condições e em logar mais apropriado; mas até agora existem apenas os alicerces da nova capella e minguados recursos para levar a effeito o restante da construcção.

Parque (Largo do Rosario)- 1907
Acervo do MHMTT

Neste largo, também se vê a um lado a antiga Casa da Misericordia, que durante alguns annos prestou reaes serviços á pobresa desvalida.
Foi doação do finado coronel José Antonio de Freitas Lisboa, cujos piedosos sentimentos acharam echo nos corações generosos dos pouso-alegrenses , que durante algum tempo algum tempo auxiliaram á medida de suas forças o pio estabelecimento, que teve regularmente montado e obteve licença, por decreto do governo imperial, para possuir bens de raiz até o valor de sessenta contos.
Deste padrão de gloria, hoje mais do que a memória, pois a casa foi vendida e acha-se completamente transformada.
Ainda há nem pouco tempo o velho edificio, já muito arruinado, parecia implorar da caridade publica o seu perdido prestigio para de novo socorrer a pobresa enferma; pelas friuchas das paredes arruinadas o sibilar do vento fazia lembrar os gemidos d’aquelles que além de enfermos ainda lutam com a miséria.
O sentimento da caridade, porém, não se apagou nos corações bemfazejos dos pouso-alegrenses: fechou-se um estabelecimento da caridade, mas os corações generosos não se fecharam aos que precisam mendigar os meios de sua subsistência.
O cemitério acha-se collocado no alto de uma collina, em logar aprasivel, dominando toda a cidade.
No centro, o grande cruzeiro campeia solitário, rodeados pelos moumentos onde repousam as cinzas de muitos que concorreram para o engrandecimento de Pouso Alegre.
E’ fechado por muros de adôbos com pilastras assentadas sobre alicerces de pedra.
Quase que a expensas dos cofres provinciaes foi construído o cemitério, sendo encarregado das obras o fallecido José Ignacio de Barros Cobra; a sua conclusão, porém, deve se aos esforços do cônego Vicente, que para este fim promoveu uma subscripção popular. O pequeno cemitério que até então existia achava se completamente arruinado.
Cemitério Velho- Desativado em 1917
Acervo do MHMTT

No pequeno largo, próximo a matriz, encontra-se o Mercado.
E’ um edificio amplo, sem luxo, elegante e de solida construcção. A estrutura repousa sobre amplas arcadas de tijolos e o pavimento eleva-se cerca de um metro acima do nível do chão.
Nas fachadas lateraes, dous passadiços ladrilhados de tijollos e separados do pavimento por uma grade de madeira, servem para a descarga e para a venda de gêneros que não sejam permittidos no interior do edificio.
O mercado funcciona sómente aos domingos, afim de deixar livre aos que abastecem, isto é, á pequena lavoura , o resto da semana.
E’ um mercado muito farto em gêneros de primeira necessidade, e presta reaes serviços á população, que ali se se abastece do necessário para o consumo da semana.
Mercado Municipal- 1900
Acervo do MHMTT

Além dos edifícios mencionados tem a cidade mais de 499 casas, na maior parte bem construídas, e algumas caprichosamente acabadas, distribuídas em 5 peças e 18 ruas.
A população está calculada, approximadamente em 2,600 almas.
A cidade é illuminada a petróleo, queimado em lampeões belgas abrigados em caixas de vidro sobre postes de madeira.
As ruas não são calçadas, salvos pequenos trechos em algumas dellas, com pedra tosca; algumas, porém, são macadamisadas com cascalho grosso, e possuem sargetas de pedra para o escoamento das águas pluviaes.
Avenida atras da Catedral- 1880
Acervo do MHMTT

Fonte: OLIVEIRA, A. M. Almanack do Município de Pouso Alegre. Rio de Janeiro: Casa Mont’Alverne, 1900.
*Escrito como no original.