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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Museu Histórico Municipal Tuany Toledo: Espaço das muitas memórias de Pouso Alegre


O Museu Histórico, neste segundo semestre, recebeu inúmeras visitas de escolas, pesquisadores e pessoas que se interessam pela história da cidade. Muitos estiveram à procura de informações, ou até mesmo fazendo doações de suma importância que resgatam as memórias de Pouso Alegre. Além dessas atividades, a equipe do Museu publicou a segunda edição da Revista “Histórias de Pouso Alegre” e um livro comemorativo dos 30 anos do 20° Batalhão da Policia Militar em Pouso Alegre.

Guardião das Memórias

O MHMTT continua ampliando seu acervo. No 2º semestre de 2012, foram confiadas à guarda do Museu imagens cinematográficas da cidade. Entre elas um desfile realizado no dia 07 de setembro de 1938 e desfiles nas décadas de 70, doadas por Elaine Delfino Ávila. Já a família do ex-prefeito Antônio Ribeiro Duarte confiou a guarda de filmes relacionados a Pouso Alegre no final da década de 40 e arquivos pessoais da família. As doações podem ser feitas no próprio prédio do Museu. 

O aumento de pesquisadores

O Museu abriu seus arquivos para pesquisadores no ano de 2012. A grande procura é por acadêmicos do curso de História, buscando informações, principalmente em temas relacionados à linha de pesquisa “Historia e Cidade”. Temas como: Avenida Doutor Lisboa, Cadeia Pública, Colônia Francisco Sales, Estação Ferroviária, Distrito Industrial, Mercado Municipal entre outros foram requisitados em nossos arquivos por estudantes de graduação, mestrandos e doutorandos. Os pesquisadores tiveram acesso a alguns documentos como: jornais, revistas, atas do poder legislativo, imagens fotográficas entre outros, muitas vezes já digitalizados e arquivados no banco de dados da própria instituição.

Projeto Passeio pela História

Desde julho deste ano, o Museu recebeu cerca 2 mil estudantes de diversas instituições de ensino de Pouso Alegre, além de uma escola da cidade de Turvolândia (MG). Além de alunos de colégios estaduais, municipais e particulares, visitaram o MHMTT crianças do Educandário Nossa Senhora de Lourdes, acompanhadas por monitores, bem como adultos e idosos do CRAS São Geraldo.

Alunos de cursos técnicos do SENAC e do Instituto Federal Sul de Minas visitaram o Museu e participaram de discussões sobre a história de Pouso Alegre no Plenarinho da Câmara.

Essas instituições visitaram o MHMTT, como parte do projeto Passeio pela História, uma parceria entre a Câmara de Pouso Alegre e a Viação Princesa do Sul, que disponibiliza o transporte gratuito dos visitantes. As visitas são agendadas previamente pelo telefone 3429-6511.

 

Lançamento da Revista “Histórias de Pouso Alegre”

A tarde do dia 07 de novembro aconteceu o lançamento da segunda edição da revista do MHMTT, em clima de lembranças, proporcionados por um vídeo com fotos relembrando diversos momentos e histórias de Pouso Alegre e pequenos filmes das décadas de 30 e 40.

O lançamento contou com a participação do presidente da casa, vereador Oliveira Altair, e os parlamentares Dulcinéia Costa, Hélio da Van, Laércio Machado e Raphael Prado. Além deles, quatro vereadores eleitos para a próxima legislatura estiveram presentes: Adriano Pereira Braga, Lílian Siqueira, Rafael Huhn e Wilson Tadeu Lopes. Servidores da Câmara Municipal, diretoras de escolas municipais, vice-diretoras, a equipe do Projeto Criartes, professores, acadêmicos do Curso de História e amigos do MHMTT também prestigiaram o evento.

O diretor do Museu, Sr. Alexandre de Araújo, autografou exemplares e os distribuiu para quem prestigiou o lançamento, juntamente com um DVD contendo programas produzidos pelo Museu em parceria com a TV Câmara. Alexandre é o idealizador do espaço que tem como principais objetivos preservar e divulgar a história de Pouso Alegre às novas gerações.

 

Edição comemorativa pelos 30 anos do 20° BPM

No dia 12 de dezembro acontece nas dependências da Câmara o lançamento do livro Orgulho da Gerais, patrimônio do Sul de Minas, memórias da Polícia Militar em Pouso Alegre, comemorativo dos 30 anos do 20º BPM. O trabalho é uma realização da Polícia Militar e Museu Histórico Municipal Tuany Toledo feito pela jornalista, historiadora e assessora de imprensa do MHMTT, Suely Ferrer, a orientação técnica da Sargento Marilza e correção do professor de Língua brasileira e estrangeira Mayke Riceli.

O livro faz uma viagem ao passado da Polícia Militar em Minas Gerais até chegar os dias atuais do 20º BPM em Pouso Alegre. Além da pesquisa em documentos, também estão publicados relatos dos ex-comandantes, ex-policiais e de comandantes e policiais da ativa.

Além do lançamento do livro acontece ainda a cerimônia de reinauguração do núcleo temático do 20ºBPM, com seu acervo ampliado através de doações de objetos, indumentária, documentos e fotografias feitas pelos policiais da Instituição.

AS ATAS DA CÂMARA MUNICIPAL


Ata é um livro, com ou sem linhas (sem linhas até 1880), onde se registra o que ocorre, acontece, numa sessão, reunião.

Nas atas da Câmara Municipal de Pouso Alegre, em épocas pretéritas, não consta o local onde se encontra instalada a Câmara.

A primeira ata foi redigida no dia 6 de maio de 1832 (há 179 anos), data de sua fundação, sob a presidência do padre Mariano Pinto Tavares, seu primeiro presidente, nascido em São Paulo em 1795, assumindo a presidência aos 37 anos de idade.

Justamente esse valioso documento histórico está, infelizmente, ausente dos arquivos da Câmara Municipal.

Onde estará esse secular livro? Em que recanto estará ocultado? São perguntas que só serão respondidas por aquele que tenha em seu poder, indevidamente, tão valioso documento do Legislativo Municipal.

Perambulando, curioso, colocando em ordem os livros de ata da Câmara Municipal, com páginas delicadas e amarelecidas pelo tempo, desde minha admissão em abril de 1964, dei pela falta de alguns livros de atas. Meu pensamento vagou no espaço exíguo da sala, indo de encontro às paredes, procurando alcançar o porquê da inexistência do mesmo no arquivo.

Quando do falecimento de um ex-vereador, um de seus filhos colocou à minha disposição o arquivo de seu querido e saudoso progenitor, para que eu escolhesse algo para o nosso Museu.

Rebusquei o escritório. Ao abrir uma gaveta corrediça, deparei, num canto, com alguns livros. Peguei-os, verificando serem livros de atas. Olhei para a pessoa que me acompanhava, dizendo-lhe: “Esses livros são da Câmara Municipal.” Resposta: “Pode levá-los.” Eram livros de atas datados de 1839, 1842, 1859, 1856, 1862.

Em 02/01/1990, um velho e querido amigo, cujo avô, ex-vereador, falecera, compareceu ao Museu sobraçando livros de atas que se encontravam em seu poder, datados de 1840 e 1847. Agradeci a gentileza do gesto magnânimo.

Esses dois fatos foram suficientes para corroborar meus pensamentos, deduzindo que livros de atas e outros documentos estão por aí, enfurnados nas gavetas, nos armários, aguardando, quem sabe, a triste hora de serem lançados à lixeira ou vendidos.

Naquela época, era costume o vereador, com ou sem o assentimento da presidência, levar livros de atas para casa, para auferir algo dos pronunciamentos, seu e dos colegas, para novas explanações nas sessões vindouras, discordando, ou não.

Daí o esquecimento, a obrigação em devolvê-los.

Faço um apelo à sua consciência: rebusque a sua biblioteca, ou se for alfarrabista, se lá não existe algum livro de atas ou outro documento da Câmara Municipal, entregando-o ao nosso Museu.

Seu nome permanecerá sigiloso e eu, genuflexo, vou agradecer, com certeza, com algumas gotas brotando nos cantos dos olhos.

Visite o Museu; não ignore.

Venha, porque fazemos questão de sua visita!

Marco do dia


19/12/1953: É fundada a Arcádia de Pouso Alegre, congregando os poetas da terra.

20/12/1925: É lançada a pedra fundamental da Capela Nossa Senhora de Aparecida, no bairro Faisqueira, pertencente à Diocese, junto da casa de campo do Seminário.

27/12/1930: Recebe na Catedral a sagração episcopal o Exmo. Revmo. Sr. Bispo Dom Lafayette Libânio, ex- vigário geral de Pouso Alegre. Bispo de São João do Rio Preto. 

29/12/1925: Lançamento da pedra fundamental para a construção do novo Seminário Diocesano.

31/12/1930: É nomeado vigário geral da Diocese o Exmo. Sr. Mons. Dr. Antonio Furtado de Mendonça.

31/12/1995: Inaugurada a Igreja de Santo Antônio, no bairro do mesmo nome.

Ribeirão das Mortes- Origem do nome


O nome de Ribeirão das Mortes é atribuído por alguns historiadores que ali, junto a veio d’água, travou-se dois grandes combates. O primeiro combate é atribuído às desavenças entre o povo de Pouso Alegre e os fiéis de Santana, atual Silvianópolis. Segundo a lenda a imagem do Senhor Bom Jesus dos Mártires, foi vendida pelo padre Hermógenes, pároco de Santana, para os fiéis e instalada na igrejinha do arraial de Pouso Alegre do Mandu. Os fiéis vieram de Santana com o intuito de recuperar a imagem, e no córrego do Cantagalo travaram batalha  com a multidão de homens e mulheres de Pouso Alegre. Os santanenses, sendo em menor número, perderam a batalha. Não houve mortos, apenas alguns feridos.
 
Alguns historiadores afirmam que o Ribeirão foi batizado assim devido ao grande combate travado na época dos Emboabas. Estudos aprofundados da história desmentem a lenda, e apontam o rio Cervo, aberto para o ouro de aluvião que aparecia nas suas margens, como alvo de disputa por paulistas e portugueses.

Ribeirão do Sangue foi o nome primitivo do córrego que nasce ao sul da serra do Cantagalo e corre dali para o Leste, até o rio Sapucaí. A compreensão do nome, segundo estudos realizados por  Augusto José de Carvalho, veio da matança dos porcos na região, a partir das últimas décadas do século dezenove. Ali eram abatidos muitos suínos para a indústria de banha.

CARVALHO, Augusto Jose. Terra do Bom Jesus. Artes gráficas Irmão Gino ltda..Pouso Alegre, Minas Gerais, 1982. P.98 a 90

Imagens da cidade

 
 
 
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Marco do dia


14/12/1982: É instalado o 20° BPMMG em Pouso Alegre. Sua área abrange 57 municípios do Sul de Minas.

Imagens da cidade

 
 
 
 

A Colônia Francisco Sales

 
No inicio do século foram criados vários núcleos agrícolas no Estado, visando estimular a agricultura. No Sul de Minas foram fundadas, em diferentes épocas, as colônias agrícolas Francisco Sales (Pouso Alegre), Senador José Bento (distrito de Congonhal) e Inconfidentes (Ouro Fino).

A Colônia Francisco Sales, propriedade do Estado, foi criada pela Lei nº 150 de 20 de julho de 1896. Em 1905 tem início sua instalação, ocupando as fazendas de Ramos Brandão (atual cerâmica Guersoni) e a de Antonio Libânio Teixeira (atual igreja de N.S. Aparecida e se estendia até ao bairro do Cristal).

Em Pouso Alegre glebas de terra foram divididas em lotes de 5 alqueires e vendidas a imigrantes europeus ao preço de 1:200$000 (hum conto e duzentos) em seis (6) prestações. Ali fixaram-se várias famílias de origem italiana, portuguesa e espanhola. Essas famílias deram origem a uma larga descendência, que mais tarde se fixou na cidade, como os Chiarini, Scodeler, Leone, Carletti, Cinquetti, Márquez, Fernandez, etc. Em Senador José Bento fixaram-se imigrantes de origem estoniana, e em Inconfidentes alguns alemães.

As colônias contavam com a assistência do governo, havendo na Colônia Francisco Sales um trator disponível para uso dos colonos, além da assistência de um agrônomo, sementes, adubos, etc.

A topografia montanhosa, em certas áreas da colônia, dificultava o transporte da cana-de-açúcar que era plantada na serra. Por isso, o transporte era feito por meio de cabo de aço, que ia do alto da serra até o engenho, o qual era movido pela energia gerada pela água represada de um açude feito pelos colonos. Os feixes de cana, amarrados, desciam pelo cabo preso em carretilhas e passavam pela moenda, indo depois para o alambique para a fabricação de aguardente.

Havia também extensas várzeas, onde se pretendia cultivar o arroz. Para esse fim importou-se da Itália uma máquina de beneficiar arroz, movida a vapor, tão grande e pesada que foi preciso construir-se uma carreta especial para transporta-la da estação para a colônia, sendo esta instalada num prédio construído especialmente para aquele fim. Havia na colônia vários açudes construídos pelos colonos, que evidenciavam a tendência de captar-se e armazenar água para usá-la como força hidráulica.

Em 7 de fevereiro de 1905, durante o episcopado de dom João Baptista Nery, o Estado confiou a direção do núcleo colonial Francisco Sales ao Bispado, para o fim de ser estabelecido uma escola agrícola na sua sede. A escola iniciou suas atividades em 10 de agosto do mesmo ano, sob a direção do então padre Octávio Chagas de Miranda. Contava a escola com 20 alunos internos e 15 externos, todos gratuitos. O pessoal admi­nistrativo e docente compunha-se de um diretor, de um professor de preparatories e subdiretor, padre Gastão de Morais, e um professor de agronomia. O programa de ensino abrangia varia matérias, entre as quais botânica, química, geologia e meteorologia agrícola, agricultura e zootécnica práticas, com trabalhos de campo, demonstração e experiência.

A Colônia Francisco Sales não teve o resultado esperado, enquanto as de Senador José Bento e Inconfidentes prosperaram e se tornaram mais tarde cidades.Os colonos acabaram por se fixar na cidade, e a escola agrícola não teve a continuidade esperada, encerrando as suas atividades em outubro de 1906

Anos mais tarde, quando dom Octávio Chagas de Miranda assumiu a direção da diocese, a sede da colônia foi adquirida para servir de colônia de férias do Seminário, e construiu-se uma nova capela, mais ampla, em louvor a Nossa Senhora da Aparecida.

 
Referência Bibliográfica:

OLIVEIRA, Antonio Marques, Almanak do município de Pouso Alegre, 1900, p.93
GOUVÊA, Otávio Miranda. A História de Pouso Alegre, Imagem, 1998, p.134,135,136

 

Alexandre de Araujo


Alexandre nasceu em Pouso Alegre, em 17 de abril de 1922, filho de Sebastião de Araujo e Maria Luiza Dadado Laira de Araujo.

Frequentou escolas particulares e o Ginásio São José. Dos 12 aos 16 anos trabalhou no estabelecimento comercial de seu pai, a Casa Araujo, na Avenida Dr. Lisboa.

De 1939 a 1941, serviu no 8º Regimento de Artilharia Montada (RAM), em Pouso Alegre, e na 2ª Bateria Independente de Artilharia Automóvel, em Olinda (PE).

Residiu no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e Belo Horizonte, trabalhando em firmas particulares. De 1950 a 1978, foi funcionário do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), chefiando a Sessão Pessoal na construção da BR 381, a Rodovia Fernão Dias.

Na década de 1960, foi gerente da PRJ-7 e do Cine Glória. Em 1964, foi convidado por Argentino de Paula, então presidente da Câmara, para ocupar o cargo de secretário executivo no legislativo, assessorando presidentes e vereadores.

Em 1965, promoveu uma exposição de fotos e documentos relacionados com Pouso Alegre, nas vitrines da Casa Vitale, na Avenida Dr. Lisboa.

Em 1976, a Câmara lhe confere o título de “Grande Pouso-alegrense”, pelos serviços prestados à comunidade na legislatura 73/77.

Em 1984, instala no piso superior do prédio da Câmara a “Galeria para Exposição de Fotos e Documentos” relacionados a Pouso Alegre.

Em 1989, promove, junto à Prefeitura, a construção de um mausoléu para preservar os restos mortais do padre senador José Bento Leite Ferreira de Melo.

No mesmo ano, é nomeado, pela Câmara, supervisor da Galeria Tuany Toledo, posteriormente denominada de Museu Histórico Municipal Tuany Toledo. Alexandre de Araujo é o idealizador, criador e atual diretor do Museu.

Em 1990, o Jornal do Estado lhe confere o diploma de reconhecimento aos serviços prestados à comunidade. Em 1996, é condecorado pelo 14º GAC com os diplomas “Amigo do Grupo Fernão Dias” e “Colaborador Emérito do Exército”.

Publicou dois livros, “Ex-chefes do Executivo” e “Pouso Alegre através dos tempos: sequência histórica”, em 1997.

Em 2002, é homenageado pela Prefeitura com o diploma “Fundador da Cidade”, e em 2003, pela Câmara Municipal com a “Insígnia Tiradentes”.

Alexandre de Araujo é casado com Leonor Rocha de Araujo. Seus filhos: Wanderley, Lúcia Helena e Emerson. Possui cinco netos e dois bisnetos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O “LAVA-CAVALO”


Nas primeiras décadas do século XX, a várzea do São Geraldo se inundava na época das chuvas, e a rapaziada pouso-alegrense aproveitava para nadar nas águas do rio Mandu. A antiga ponte, que hoje não existe mais, pois sobre ela está a rotatória da Perimetral que separa o Centro do Bairro São Geraldo, servia de trampolim para os jovens mergulharem.

Havia também outro local onde se costumava nadar: o Lava-cavalo. Esse trecho do rio Mandu, que ficava aos fundos do quartel, era assim chamado pela população da cidade por ser o lugar onde os cavalos do 8º R.A.M., hoje 14º G.A.C., eram levados para “tomar banho”. Assim Gouvêa nos descreve o Lava-cavalo: “O rio serpenteava pela várzea e descrevia, naquele trecho, uma longa curva, depositando areia branca em uma das margens e tornando o local bastante convidativo. Havia também muitos barrancos, facilitando, assim, a prática dos mergulhos. (...) Era, por assim dizer, uma praça de esportes improvisada, pela qual os próprios freqüentadores zelavam, arrancando o mato das margens do rio, limpando-o ou introduzindo melhoramentos, como o trampolim todo de madeira de quase três (3) metros de altura.”

Segundo Alexandre de Araújo, o local foi bastante procurado pela “molecada” pouso-alegrense entre as décadas de 1930 e 1950. Além disso, Araújo nos descreve uma das brincadeiras que eles costumavam fazer: “A tabatinga (argila sedimentar, mole, untuosa) e de cores vermelha-amarela e preta, dos barrancos ensejavam os mais habilidosos, formar bonecos, cavalos, carroças, casas, etc. O mais divertido eram as costumeiras ‘guerras’ de bolotas de tabatinga, lambuzando todo o corpo.”

Alexandre de Araújo nos conta, ainda, com saudade e lirismo, como era nadar no Lava-cavalo: “No verão, às 5 da matina até o entardecer, era uma enormidade de aficionados da natação. Águas límpidas; nas margens, a exuberância e os frescor do vergel multicolorido. Como era divertido segurar no rabo dos cavalos dentro d’água, um deslizar suave até onde desse pé para o cavalo. Era correr e pular de qualquer barranco, ao afago vivificante das águas cristalinas do nosso saudosíssimo ‘Lava-cavalo’.”

Na década de 1980, com a abertura da Perimetral, um grande trecho do rio Mandu foi soterrado para ceder lugar à nova avenida, inclusive o local onde ficava o Lava-cavalo. Com isso, ele tornou-se apenas uma lembrança na memória dos que, quando jovens, passavam o tempo nadando nas águas do rio Mandu.
 

Imagens da cidade

Vista aérea da cidade de Pouso Alegre III- 1970
 
 
 
 
 

Marco do dia


03/12/1996: Posse do 3° Arcebispo de Pouso Alegre Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho.

05/12/1905: A Santa Sé confirmou São Sebastião como padroeiro da Diocese.

08/12/1905: Inaugurado o Santuário do Coração de Maria, com a pedra fundamental lançada em 1903. Coberto com telhas francesas, em posição bastante inclinada, conforme o estilo a que ele obedece (Gótico).

09/12/1985: Instalação da Sobral Invicta S/A.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Avenida Doutor Lisboa (Fernandes Filho)


Determinando o retorno do nome do Dr. Lisboa à principal artéria de nossa cidade, a Câmara Municipal marchou ao encontro do povo, realizando um de seus grandes desejos.
O governo discricionário, implantado em 1937, não respeitava a vontade popular, nem submetia à sua consulta decisões que diziam de perto com o interesse do povo.
As mais caras tradições eram transformadas em brazas ardentes no turibulo em que se incensava os detentores do poder.
O incensório era o objeto mais usado e mais disputado naqueles regime de tão triste memória.
Em Minas, principalmente, só se conservava nas boas graças do suserano-mirim quem soubesse manejar com eficiência o vaso precioso.
Pouso Alegre, como as demais cidades, também teve sua quota, fornecendo matéria para o turibulo oficial. O nome da nossa principal avenida foi uma das brazas que fizeram subir aos céos a fumaça de resina aromática.

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Chamava-se José Antonio de Freitas Lisboa, e era médico na acepção do vocábulo. Não tinha limites seu amor pelos que sofram. Sua solidariedade era tamanha que o sofrimento alheio também o atingia em cheio. As portas de sua casa e do seu coração estavam sempre escancaradas.
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Cortava longas distancias no lombo do cavalo, afim de levar o auxilio da ciência ou o calor do seu coração aos que sofriam e choravam.
Em seu vocabulário tradicional não existia a palavra “não”, por que nunca soube pronunciá-la. O povo, que não podia pagar em moeda os seus benefícios, deu seu nome ao principal logradouro público.
A cidade cresceu e a rua tornou-se o coração da cidade. Lá estava, pregado nas paredes, o nome de seu benfeitor.
Um dia, porém, chegou o regime da adulação, e o coração da cidade, que era a bela avenida, foi escolhido para o sacrifício.
Atirou-se ao incensário aquele nome, para alimentar a fumaça perfumada que se evolava e ganhava as alturas.
Nunca o povo se conformou com a troca. Impossibilitado de manifestar abertamente o seu protesto, aguardava, confiante, o advento do regime da liberdade para fazer valer a sua vontade.
A Câmara interpretou a vontade do povo, determinando a volta do nome do Dr. Lisboa à nossa principal avenida.
No coração do não se entra pela força nem pela violência.

Jornal “A Cidade” 25/04/1948- capa

 

Denominações de avenidas e praças.


Prefeitura Municipal de Pouso Alegre

Decreto-Lei n° 11, 3 de novembro de 1938

Dispõe sobre denominações de avenidas e praças.

Tuany Toledo, prefeito do Município de Pouso Alegre, usando de suas atribuições, e considerando que o município vai comemorar festivamente, no dia 10 de novembro, o primeiro aniversário do Estado Novo;

Considerando que o Presidente Getulio Vargas é o Chefe da Nação e, como tal, tem definido o espírito de brasilidade, revelando em todos os seus atos, o sentimento e a consciência de um grande estadista;

Considerando que o dr. Benedito Valadares é o Governador do nosso Estado e, como tal, tem prestado assinalados serviços a Minas Gerais, realizando na sua administração obras notáveis, as quais, além de “honrarem uma geração de governantes”, só por si bastariam para recomenda-lo à estima, à admiração e ao respeito de todos os nossos patrícios;

Considerando ainda que a cidade de Pouso Alegre já prestou recentemente justa e oferecida homenagem ao Presidente Getulio Vargas e ao Governador Benedito Valadares, inaugurando no salão nobre da Prefeitura os retratos desses grandes vultos nacionais.

Considerando finalmente que é de inteira justiça completar a homenagem, ligando os nomes desses eminentes brasileiros à nossa cidade por um ato concreto, que traduza o reconhecimento do povo pousoalegrense, decreta:

Art. 1°- Fica denominada Praça “Getulio Vargas”- o trecho da avenida “Herculano Cobra”, compreendido entre os dois lados da via publica, da Catedral até a Rua “Samuel Libânio”.

Art. 2°: A atual avenida “Dr. Lisboa”- passa a denominar-se avenida “Benedito Valadares”.

Art. 3°: As placas respectivas serão inauguradas no dia 10 de novembro, por ocasião dos festejos comemorativos do primeiro aniversario do Estado Novo.

Art. 4°: Revogam-se as disposições em contrario.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução deste decreto-lei pertencer, que o cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nele se contém.

Gabinete da Prefeitura Municipal de Pouso Alegre, 3 de Novembro de 1938. Tuany Toledo, Prefeito Municipal.

Publicado no Jornal “O Municipio” 03/11/1938, capa.

Imagens da cidade

 
 
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Imagens da cidade

Vistas aéreas de Pouso Alegre II
 
 
 
 
 

Crônica da Cidade

Este é outro capitulo do que escrevo sobre os tipos característicos...
Sempre resta alguém que não devo deixar de abordar... É tudo uma questão de dor na consciência... de uma sentimental...
Recordo-me, vivamente, neste instante, do velho Seu Antônio Português, que morava no ginásio São José...
Como era divertido conversar com aquele bom velhinho... que vivia dando lições de moralidade... Lembro-me bem, da braveza que ele ficava, quando falávamos: “Boa tarde, seu Antônio”, e ele respondia: “Nunca é tarde...”
Até esta presente crônica, ainda não trouxe à lembrança suas, também, a figura imponente e cheia de simpatia, do preto feio e alegre, chamado por “Agostinho”...
Quem não sente falta das musicas solfejadas, entre dedos, por aquele negro?
Ele era forte e tinha muito estilo... suas sinfonias comoviam... e dava vontade de fazer brotar águas nos olhos...
Que imenso era seu repertorio... Em qualcanto da rua, atraia espectadores e fãs... Eu mesma pequena ainda, gostava de ser plateia para aquele artista... nato...
Saudades e mais saudades... (Zal Jomar)
O Jornal de Pouso Alegre, 20/07/1968  

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imagens da cidade

Vistas aéreas da cidade de Pouso Alegre na década de 70 disponibilizadas pelo sr. João Urbano Coutinho de Oliveira no Grupo  “Memórias de Pouso Alegre” – Facebook.  
 
 
 
 
 

Pouso Alegre Hotel


O sensivel adiantamento por que a nossa cidade vem passando desde a localisaçao do 10° Regimento de Artilharia montada, hoje 8°, reclamava diversas medidas de bemfeitorias, entre as quaes a da, construcçoes de prédios destinados a hotéis com o conforto e medidas hygienicas, adequadas às exigências modernas.

Comprehendedores desta lacuna que feria a sensibilidade a sensibilidade das nossas visões de progredir, resolveram, alguns capitalistas, solucioná-la com a construcçao do confortável e elegante prédio do HOTEL POUSO ALEGRE.

Depois de funccionar algum tempo, sob diversas orientações, passou a direcçao firme e prática dos antigos proprietários do Hotel Ferreira, José Ferreira de Almeida em sociedade com Cyro Bastos, que imprimiu uma ordenação nova que nada deixa a desejar, ao par de uma rigorosa hygiene, que muito recommenda a preferência com que estão disputados os seus 4 luxuosos apartamentos e 30 quartos, com água corrente, tendo todo o mobiliário preciso ao conforto dos seus hospedes.

Na ampla sala de jantar esta installado optimo radio, e as refeições são servidas em mesas isoladas ou em conjunto.

Há mais 15 quartos em outro prédio próximo, seu filial (o antigo Hotel Roma) muito arejados e confortáveis.

Os banheiros, chuveiros, installacçoes sanitárias de primeira ordem; garages e acommodaçoes para tropas, completam este todo que constitue um orgulho a Pouso Alegre.

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Pouso Alegre Hotel, reserva quartos solicitados por telegramma. Para estadias prolongadas dos senhores turistas, é mister aviso com antecedência.

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Pouso Alegre Hotel é o mais central, e fica na Avenida Doutor Lisboa; extenso panorama é descortinado das janellas dos seus aposentos.
 
 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Imagens da cidade

Vista Parcial da Cidade- 1951
Acervo d MHMTT
Vila Sao Vicente- Década de 40
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento, Catedral- Década de 30
Acervo do MHMTT
Acervo do MHMTT
Praça Senador José Bento
Acervo do MHMTT

Marco do dia


19/11/1984: Entregue oficialmente ao tráfego a “Perimetral”- com 5,5 km de extensão. Custo de CR$ 970 milhões de cruzeiros. Prefeito: Dr. Simão Pedro Toledo- Chefe do 6° DRF- (DNER).

21/11/1901: Chegaram em Pouso Alegre os Missionários do Coração de Maria.

23/11/1983: Lei n° 2.040 criando a Guarda Mirim.

24/11/1947: É iniciada a demolição da parte da frente da velha Catedral (adros-torres e mais 8 metros para dentro). A demolição ficou completa no dia 10/02/1948.
 

A Cirurgia no nosso hospital

Neste ultimo trimestre, entre as muitas intervenções médicos- cirúrgicas executadas no hospital desta cidade, destaca-se, pela sua importância e completo êxito, as seguintes: Maria Magdalena, de 17 annos de idade, casada, de cor branca, entrada em começo de março com um derrame pleural, lado esquerdo. Feita a puncção, levou-se a effeito a pleurotomia, tendo sido retirado cerca de um litro e meio de liquido francamente purulento, operação essa pela primeira vez praticada com resultado em nossa casa de caridade. A operada teve alta completamente restabelecida a 23 do mês findo.

Mariosa, italiano, maior de 55 annos de idade- infiltração urinaria dos escrotos e períneo por estreitamento urethral. Pela primeira vez nesta cidade praticou-se a operação de urethrotomia externa por abertura da urethra com fistula perineal, obtendo o doente alta radicalmente curado.

Felippe, árabe, maior de 48 annos de idade- estreitamento de urethra com múltiplas fistulas; abertura da urethra posterior, destruição do callo a bistori; fistula perineal; em segunda intervenção urethrotomia interna; fechamento das fistulas e cura completa do operado, que anteriormente já havia se recolhido no hospital. Esse importantíssimo e penoso trabalho cirúrgico foi também o primeiro que se praticou n’esta zona, sendo difficil, senão impossível encontrar-se um enfermo com estreitamento e adherência com que se apresentou no hospital o doente referido.

Todas as melindrosas e importantíssimas operações citadas foram hábil e pacientemente praticadas pelos nossos conceituados clínicos srs. Drs. Nothel Teixeira, Arthur Guimarães e J. Pinto de Carvalho, que se revelaram francos conhecedores dos segredos da cirurgia moderna, livrando assim de morte certa aos três enfermos pobres, amparados pelo nosso excellente hospital e restituídos a sociedade e as respectivas famílias pela pericia e dedicação dos citados clínicos, aos quaes enviamos nossas vivas felicitações pela victoria alcançada.  
 
Jornal “A Semana” 14/07/1912
Hospital Sao Vicente de Paula- 1918
Acervo do MHMTT

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

OS PRIMEIROS JORNAIS DE POUSO ALEGRE

Isaías Pascoal*

O padre, deputado e senador José Bento foi o pioneiro no jornalismo político em Pouso Alegre e região. Foram criações suas o Pregoeiro Constitucional e o Recopilador Mineiro. Quando surgiu, em 1830, o Pregoeiro Constitucional, sob a ótica do Liberalismo, se opôs a D. Pedro I de forma resoluta e agressiva. Suas matérias eram mais doutrinárias e filosóficas, com pouca preocupação em descrever fatos. Os textos eram extensos, faziam comparações entre governos tirânicos (Turquia) e os democráticos (Inglaterra), e exaltava a ideologia Liberal, na realidade, a grande bandeira de luta dos que se opunham ao imperador.

 Já o Recopilador Mineiro (1833-37) era de uma fase em  que D. Pedro I já havia renunciado ao poder. Na época, o interesse primordial do governo regencial era garantir a ordem política e social e salvar o país da “anarquia”. Suas matérias são mais relatos de acontecimentos. São menos filosóficos e doutrinários. Há anúncios que, no Pregoeiro Constitucional, eram impensáveis. O mote principal são os fatos políticos. Afinal, os leitores estavam interessados em acompanhar o rumo da política no país. De longe, a maior preocupação.

Os acontecimentos do exterior também eram assuntos de interesse dos leitores. Os jornais reservavam um espaço para o noticiário internacional, sobretudo se relevante para a situação interna crítica. Conhecer o que se passava fora do país, principalmente na Europa, servia como norte para as lideranças políticas brasileiras.
 
As notícias internacionais chegavam com muito atraso ao sul de Minas, cerca de três meses após o seu acontecimento. A imprensa não conseguia, nem mesmo, publicar notícias de uma província a outra sem que isso levasse ao menos um mês.

O Pregoeiro Constitucional, de 20 de outubro de 1830, nº 13, fala sobre a revolução que explodiu em Paris no mês de julho. As matérias do exterior publicadas enfatizavam os conflitos entre os países. O Recopilador Mineiro, de 19 de dezembro de 1833, nº 89, trazia uma transcrição do Jornal do Commercio que fazia análise sobre a invasão da Ilha das Malvinas pela Inglaterra, explicitando o apoio dos brasileiros aos argentinos: “Invadidas as Ilhas Malvina pela Corveta de S. M.Britaneia (...) Entretanto a Regencia do Imperio  do Brazil, (...), tem sido um dos primeiros que de modo mais franco e nobre deu uma prova inequivoca de que olha para a Causa da America, como propria, e que em qualquer tempo se collocará á frente dos Estados Americanos para resistir ao poder Europêo. Estamos autorisados a publicar que a Regencia  do Brazil, sem outra iniciativa além de circular nosso Governo, ordenou seu Ministério Plenipotenciário em Londres o Cavallheiro Mello Mattos, coopere por todos os modos possiveis  a sustentar as reclamações do Ministro da Republica Argentina a respeito da usurpação das Malvinas por parte da Inglaterra”.

Além do dia-a-dia da política nacional e internacional, os jornais faziam comentários sobre o comportamento feminino, a chegada dos correios, divertiam seus leitores com anedotas, e até noticiavam o falecimento de seus desafetos.

Em 16 de outubro de 1830, na edição de nº 12 do Pregoeiro Constitucional, é noticiada a morte do presidente de Sergipe: “Consta-nos que morreu o Presidente de Sergipe; muitas vezes a morte de um mau empregado, é origem de paz, e tranqüilidade!”

O Recopilador Mineiro de 9 de novembro de 1833 trazia ao fim de sua edição uma anedota: “Anedocta: Aconselhava-se a um velho que cazasse: elle respondeu, que não gostava de mulheres velhas: Disserão-lhe que tomasse uma moça: oh! Replicou elle, eu sou velho, e não posso supportar as velhas, como uma moça me ha-de supportar?”

Este era o cotidiano retratado pelos jornais. Os acontecimentos políticos eram esperados e lidos com interesse. A sociedade sul-mineira se desenvolvia e procurava se espelhar na Corte em sua maneira de ser, de vestir e viver.  Os homens liam e discutiam as notícias em rodas de amigos, enquanto as mulheres faziam suas visitas, e José Bento realizava façanhas na política e no jornalismo.
 
 
*Professor no Instituto Federal de Educação do Sul de Minas. Formado em Pedagogia e História, com especialização em História Moderna e Contemporânea pela PUC-BH, mestrado em Sociologia pela UNICAMP e doutorado em Ciências Sociais também pela UNICAMP.

Fleming e o início do cinema brasileiro


O cinema brasileiro teve sua origem pioneira em Pouso Alegre, no ano de 1918. O jovem Francisco de Almeida Fleming, com apenas 18 anos, veio de Ouro Fino para gerenciar o Cine Íris, que ficava na Praça Senador José Bento.

Em 1920, Fleming exibiu um filme sincronizado a um gramofone, o que causou grande espanto aos espectadores do Cine Íris. No ano seguinte, produziu seu primeiro longa-metragem, “In Hoc Singo Vinces”, e, por causa disso, sua produtora de filmes é considerada a mais antiga do cinema brasileiro.

Fleming tornou-se conhecido pelo filme “Paulo e Virgínia” (1924), baseado no romance de Bernardino Saint Pierre. Esse e outros filmes do cineasta tinham como cenário a várzea do Rio Mandu e a do Rio Sapucaí-Mirim.

Outras produções de Fleming foram: “O Vale dos Martírios”, “Desafio do caipira”, “Minha cara Bo”, “Canção de Carabu”, “Capital Federal” e “Coração bandido”, entre outras. O cineasta produziu ainda mais de 300 documentários e reportagens. Conta-se que, para produzir “O Vale dos Martírios”, Fleming vendeu a própria residência.

Em 1977, Fleming recebeu uma homenagem do Ministério da Educação e Cultura, como um dos pioneiros do cinema nacional. Faleceu em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1999, aos 98 anos.

Uma das cadeiras usadas na direção de filmes por Chiquinho Almeida, como era chamado, está exposta em nosso Museu.